Brazil, Other Developing Markets Included in Global Ranking of Publishers

Brazil, Other Developing Markets Included in Global Ranking of Publishers

By Maria Fernanda Rodrigues | Published: June 30, 2011

Starting in 2006 publishing consultant Rüdiger Wischenbart began to systematically analyze the international book industry. In each subsequent year he has produced what he calls, the “Global Ranking of the Publishing Industry,” and it is a regular topic of discussion at the Frankfurt Book Fair.

This year a total of 58 publishing houses or publishing groups with a minimum revenue of 150 million euros each, opened their books to Wischenbart’s team. All together, the publishers account for 56 billion euros in revenue, half of which comes from top ten companies in the ranking: Pearson, Reed Elsevier, ThomsonReuters, Wolters Kluwer, Bertelsmann, Hachette Livre, McGraw-Hill Education, Grupo Planeta, Cengage Learning and Scholastic. For the first time, three Brazilian publishers made the list: Abril Educação (46th), Saraiva (52nd) and FTD (56th).

The Global Ranking is based on official company reports, collated company information and official company data registries. It is an initiative of Livres Hebdo (France), and co-published by Buchreport (Germany), The Bookseller (UK), Publishers Weekly (USA) and PublishNews (Brazil). The ranking is based on a breakdown of revenue derived from all forms of publishing, including books, digital material and professional information, while excluding magazines, wire services and corporate publishing. Revenues from direct retail operations are also excluded.

When the data is crunched, it becomes clear that STM publishers generate the largest amount of revenue, with sales of 13,191 million euros in 2010 (or 43% of the industry). STM is followed by trade books with 9,555 million in sales (31%) and Education, with 8,230 million (27%). The report also shows that in recent years the segment of the textbook grew more than the others (from 6,875 million euros in 2008 to 8,230 million euros in 2010). It appears that the economic crisis which shook the global book industry from 2008-2009 has finally began to wane.

Brazil and Other Developing Markets

While this is not the first time that emerging countries were included in the report — previous years included publishing groups from China, Japan and Korea — this year Wischenbart made an extra effort to include Brazil and Russia.

The three Brazilian companies — Abril Educação (231,8 million euros revenue), Saraiva (188 million euro revenue) and FTD (161,6 million euros revenue) — each have a strong focus on education and retail (though, as noted above, only the income of their publishing and educational business was included).

According to the 2011 report, publishers from new and emerging markets (including the three Brazilian companies) together made over 580 million euros in 2010. The importance of their contribution to the ongoing growth of the global publishing business can not be overlooked.

With book prices at only a fraction of those in Europe, Japan or North America, the total market value in the emerging countries such as China, Russia and Brazil represent, by comparison, a far larger number of consumers (and readers) and more copies produced and distributed than in markets in the more affluent parts of the world with a similar turnover.

Brazil’s Top Trio

What the top three Brazilian publishers have in common is that they all publish K-12 textbooks, which is the largest publishing segment in Brazil and represents 51% of all sales, fueled primarily by government bulk purchases. The sales account for some US$401 million annually, with books going to over 40 million children in public schools and some more in private schools.

Abril Educação (1st in Brazil, 46th in the world) is part of Abril Group, which was founded in the 1950s and is one of the most powerful media conglomerates in Latin America, with 54 magazines, the television channel MTV, and the largest printing facility in Latin America. Abril Educação is a partnership by Ática and Scipione publishing houses and is responsible for many of the country’s most popular teaching methodologies, including the Anglo and SER teaching methods, the Anglo preparatory course for University entrance examination, ETB schools and technical teaching methods, and the Siga preparatory course for public service entrance examinations. In the domestic market, Grupo Abril is also a leader in the textbook publishing segment. In all, the company has published over 3,000 titles and holds 29% of the Brazilian market. In 2008, it produced 37 million books.

For almost 100 years, Saraiva (2nd in Brazil, 52nd in the world) has been building its leadership in the Brazilian book industry. It is the top bookseller (with nearly 100 shops around the country), and is the leading publisher of law books, is well positioned in the textbook segment, and expanding into digital. In 2010, Saraiva created a new imprint for trade books -– Benvirá. Along with it, the publishing house launched a literary award –- Prêmio Benvirá de Literatura, which has just awarded its first winner: Nihonjin by Oscar Nakasato, which tells the story of the private life of Hideo, a Japanese immigrant to Brazil following WWII.

FTD was created in 1902 to support the Marist Brothers education efforts in Brazil; the Catholic religious order has been running schools in Brazil since 1897. FTD is specialized in textbooks for K-12 segment and has published more than 4,000 books from around 1,100 authors. It is the owner of FTD teaching method, adopted by 10,000 students throughout the country.

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A arte de ainda gerar boas emoções

Livros sobre a imigração no Brasil não são raridade. No entanto, só agora é possível dizer que parte da lacuna japonesa está sendo preenchida

Por Tailor Diniz*

De ficção ou não, livros sobre a imigração no Brasil não são raridade. Em especial da italiana, que também tem sido abordada no cinema e na televisão, com relativo sucesso. Aqui mesmo no Rio Grande do Sul, temos bons exemplos, o mais notório é o romance O Quatrilho, de José Clemente Pozenato, levado às telas por Fábio Barreto, e que concorreu ao Oscar, em 1996.

Da abordagem sobre os alemães pode-se dizer o mesmo, em ângulos diversos, nas páginas de vários autores – entre os destaques Videiras de Cristal, de Luiz Antônio de Assis Brasil, também levado às telas pelas mãos da mesma equipe de O Quatrilho. A lista é grande, e seria um lapso não lembrar Moacyr Scliar, que desde seu primeiro livro de ficção [O Carnaval dos Animais] tão bem retratou a chegada dos imigrantes judeus ao Rio Grande do Sul, suas dificuldades diversas de adaptação a um novo mundo de costumes, culturas e idioma.

Essa oferta de obras sobre a vida de cidadãos de outras nacionalidades que para cá vieram em busca de trabalho não ocorre, por exemplo, com os japoneses, lacuna agora em parte preenchida pelo primeiro romance do escritor paranaense Oscar Nakasato, neto de imigrantes japoneses, aportados no Brasil, durante a última metade da Segunda Guerra Mundial. Romance de segura abordagem histórica, Nihonjin tem como primeira qualidade a isenção de análise dos conflitos gerados pelas diferentes interpretações, pelos próprios japoneses, de sua identidade. Nesse particular, entra um ingrediente pouco considerado entre outros imigrantes, que é o aspecto físico.

A necessidade de preservar ou não essa identidade na sua raiz, suas idiossincrasias, sentimentos e ressentimentos advindos do conflito aí gerado, são a ponta de tensão da trama, que se inicia com um pontual castigo paterno a um filho tido então como rebelde, e culminam com a intolerância de um grupo radical que, por meio da força, se opõe a outro. São conflitos de violência explícita, de cuja existência, em especial nas colônias do interior de São Paulo, pouco se sabe até hoje. Como se dizer brasileiro com um aspecto físico tão característico, enfrentando a pilhéria de colegas de aula, o que hoje se chamaria bullying? Mas, de outra parte, como se comportar e viver como um japonês, fechado às tradições de seus antepassados, se nascido no Brasil e com a necessidade de ter uma terra como sua, de onde tirar o sustento, alimentando referências apenas na imaginação e no sonho distante?

Assim se desenvolve a narrativa, com o conflito sempre à flor da pele, ora tomando parte o filho que “se sente” brasileiro e desconsidera as tradições familiares, ora na consciência do pai que vê numa concessão desse naipe um perigo a rondar a esperança de um dia voltar à terra onde ficaram pais e irmãos. Esses dramas fogem ao círculo familiar e passam a alimentar o fanatismo de grupos rivais, que se dividem entre os considerados traidores da pátria [gaijins] e os seguidores das tradições [nihonjins]. As divisões começam quando chegam os filhos e netos, e estes passam a ver a pátria dos pais e avós de uma forma já distante, a partir apenas de relatos distanciados no tempo.

Embora o conflito maior de Nihonjin seja de identidade, questões comuns a todos os imigrantes da época não deixam de ser tangenciadas. Como a perseguição a cidadãos oriundos de países do chamado Eixo, alemães, italianos e japoneses – que, por determinação do então presidente Getúlio Vargas, não podiam, entre outras proibições, falar seu próprio idioma, fomentando entre a população local um clima de latente discriminação e hostilidade.

Mas Nihonjin, antes de tudo, é um livro belo, sensível, denso de humanismo e de compreensão dos fatos. O narrador da história é o neto do personagem principal, que, mesmo nos momentos de maior dor, se mantém isento, sem alimentar ressentimentos de qualquer natureza, e de espírito aberto às concessões, disposto sempre a entender, ao invés de julgar, as circunstâncias emocionais de uma decisão. Estamos, enfim, diante de um grande livro, de uma narrativa simples, que, ao final da leitura, nos faz respirar aliviados. Em Literatura tudo até já pode ter sido feito. Mas a forma de fazer, quando bem feita, ainda não perdeu a capacidade de gerar boas emoções. É o caso de Nihonjin.

*Tailor Diniz assina a coluna Livros na revista APLAUSO

Link: http://aplauso.com.br/2011/10/a-arte-de-ainda-gerar-boas-emocoes/


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Entrega do Prêmio Literário Bunkyo 2011 – 12.nov.2011

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Distintos nikkeis, por Jorge Nagao

Na semana passada recebi de Jorge Nagao um texto interessantíssimo sobre o nipo-brasileiro, que foi publicado há muitos anos pelo inesquecível “Pasquim”. Leiam:

 DISTINTOS NIKKEIS

 O imigrante japonês, tal como Cabral, resolveu descobrir o Brasil. E aqui chegou com a cara (uma igual a outra) e a coragem, idem. Apesar das dificuldades com o idioma, o calor tropical, a comida diferente, a saudade da terra nagao, ele acreditou de olhos fechados no Brasil. Depois de trabalhar muitos anos na agricultura, o seu espírito aventureiro baixou de novo. E lá foi ele e família para a Capital, onde tomou a liberdade de tomar a Liberdade, o bairro. Em Sampa, dedicou-se ao comércio e investiu na educação dos filhos. O japa não queria que seus filhos fossem tintureiros como ele, apesar de, como tintureiro, não passar mal.

O japonês original é chamado de issei; o seu filho é nissei; o filho do nissei é sansei;  depois vem o yonsei e agora nasceu o primeiro gossei, capa recente da Veja. O  próximo será muito roku, o rokussei. Depois não sei. Os nikkeis, isseis e descendentes, não negaram a raça. Adaptaram-se nas mais variadas profissões. Tornaram-se médicos, engenheiros, advogados, atores, cantores, jogadores de futebol e até políticos (ninguém é prefeito!). Mas prefeitos nikkeis tem muitos, Brasil afora, interior adentro.

O nikkei e a nikkéia, talvez pela influência da longa viagem de navio, são como o oceano: pacíficos. Têm fama de obedientes, tímidos, leais, e, sobretudo, de  estudiosos. Essa fama é tanta que alguns professores de cursinho costumam brincar com seus alunos: – Quer passar no vestibular? Então, mate um japonês…

Dizem também que o nikkei  é igual à Kombi: tem a mesma cara, só muda o ano de “fabricação”. Mas quem tem amigos nikkeis, identifica pelo comportamento deles, dois tipos distintos: o tradicional e o desnaturado.

O nikkei tradicional tem cara de samurai e não consegue falar laranja, “fara raranja”, “terefone cerurar”, prefere conversar em japonês, pratica lutas marciais, aprecia sushi, sashimi e sukiyakimeshi  “horores”, joga beisebol, tem amigos apenas na “corônia”, vota somente em candidatos nikkeis, e é capaz de cometer harakiri se a mulher o trair. Ela, também é radical: remember “Império dos Sentidos”, em que a japa enfurecida, ouvindo a ordem do diretor do filme “Corta!”, cortou o “negócio” dele. Ai!

Já o nikkei desnaturado é facílimo de reconhecer: em vez de beisebol, gosta de futebol, troca o sushi pela feijoada, toma cachaça em vez de sakê. Seicho-no-iê? Não, é ateu graças a Deus, prefere capoeira a judô, não bate bem (fotografia) e não quer saber de japonesas- gosta das “rouras”. Tem um que até escreve no Primeiro Programa. No entanto, ele não é tão avesso assim às suas origens orientais pois se a sua mulher o enganar, ele é até capaz de cometer um harakiri. Nela, naturalmente…

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Um sentido de retorno, por Gilberto Araújo

A saga identitária nipo-brasileira  Nihonjin, de Oscar Nakasato, se destaca por enfatizar a pesquisa subjetiva

: : Gilberto Araújo R io de Janeiro – RJ Em 1897

Aluísio Azevedo, já diplomata, é nomeado vice-cônsul em Yokohama, onde escreve O Japão, misto de descrição histórica e impressões pessoais, só editado em 1984. O fato de o maranhense tê-lo feito quando não era mais homem de letras atuante indicia o quanto nossa literatura pouco visitou aquele país. Portugueses, italianos e alemães, por exemplo, foram respectivamente contemplados em O cortiço, do próprio Aluísio, Brás, Bexiga e Barra Funda, de Alcântara Machado, e Canaã, de Graça Aranha. Possível justificativa da escassez é a tardia imigração japonesa no Brasil, iniciada em 1908, ou, mais provavelmente, a distância lingüística do português. Não estranha que São Paulo tenha sido o pioneiro em incorporar o Japão ao repertório literário; afinal, os japoneses desembarcaram no porto de Santos. A abertura ficcional ocorre em 1927, com Amar, verbo intransitivo, de Mário de Andrade, em que os orientais estão preconceituosamente representados no mordomo Tanaka, cuja obtusidade se contrapõe à desenvoltura da alemã Fräulein. Na década de 1930, o narcisismo regionalista negligencia os imigrantes, resgatados no decênio seguinte. Nesse ínterim, porém, Guilherme de Almeida difunde e pratica haicais em português, fermentando a futura consolidação nacional do gênero. Os nipônicos reaparecem em Brandão entre o mar e o amor (1942), romance coletivo de Jorge Amado, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Aníbal Machado e Rachel de Queiroz, e nos dois volumes de Marco zero (1943 e 1945), de Oswald de Andrade, obras alarmadas com o “perigo amarelo”, inflacionado pelo nacionalismo varguista e pela segunda guerra, na qual o Japão, enfileirando o Eixo, se posicionou contrariamente ao Brasil. Economicamente refeitos e mais integrados à sociedade brasileira, os japoneses proliferam na ficção das décadas de 1980 e 1990 (mesma época da publicação de O Japão, de Aluísio), nas penas de Ana Suzuki, Laura Honda-Hasegawa, Lucília Junqueira de Almeida Prado, Sílvio Sam e outros. Enfraquecem os estereótipos, e o nipônico caminha de objeto a sujeito das narrativas. Empenhadas em suprir lacunas históricas, algumas dessas obras padecem de superficialidade psicológica, sondagem que será a tônica das obras do século 21. Em O sol se põe em São Paulo (2007), de Bernardo Carvalho, em Rakushisha (2007), de Adriana Lisboa, e em O único final feliz para uma história de amor é um acidente (2010), de João Paulo Cuenca, a metalinguagem se conjuga à busca de identidade. (Note-se que o conluio entre o mise en abyme metalingüístico e o mergulho em línguas “exóticas” (vide Budapeste, de Chico Buarque) já se tornou cacoete na literatura contemporânea, como artifício facilitador da correspondência entre as identidades flutuantes e os conceitos lingüísticos de tradução, traição e transcriação). A saga identitária também embasa Nihonjin (2011), de Oscar Nakasato, que se diferencia das anteriores por historicizar e enfatizar a pesquisa subjetiva. No romance, tudo é migratório: famílias, espaços, crenças, valores e identidades. O narrador-protagonista examina fotografias antigas, consulta fontes históricas e ouve recordações do avô, Hideo Inabata, e do tio Hanashiro, com o nítido desejo de avistar contornos para si próprio; não por acaso, é o único personagem não nomeado. A primeira figura evocada é Kimie, ex-mulher do “ojiichan” (avô). Frágil e sonhadora, ela não se adequa à dura rotina de trabalho no cafezal. Ao constatar que não neva no Brasil, enlouquece e morre, em cena de pungente lirismo. Hideo, por sua vez, compensa a distância geográfica pelo culto exacerbado da nação: o Imperador, o trabalho, a família, o patriarcado e a xenofobia alicerçariam o purismo nipônico. Às vezes, a reiteração dessa inflexibilidade soa excessiva: “E seguiria assim, em terra estrangeira, empunhando a enxada, rasgando a terra, fincando mudas”. Além disso, a ânsia (louvável) de conferir voz a seres silenciados (expressa no título: “nihonjin” significa japonês em japonês) reduz os personagens à materialização de idéias e sentimentos: “O que me deixa apreensivo é que lavraremos uma terra alheia, estrangeira, e obedeceremos às ordens dos donos dessa terra, que não conhecemos”. O esquematismo relembra, em forma e função, os diálogos coloniais escritos pelo Padre Manuel da Nóbrega e por Ambrósio Fernandes Brandão, ou ainda as conversas de Milkau e Lentz em Canaã, todos interessados em dramatizar percalços da alteridade. Diferentemente de Oswald, comprazido em macaquear os japoneses tateando o português, Oscar Nakasato, ao examinar internamente suas hesitações lingüísticas, afasta-se da folclorização. Em contrapartida, na transcrição de uma cantiga de negros, recorre ao decalque (“coiêta”, “dipindurado”, “muié”), talvez para reforçar a confusão dos nipônicos. Os graus de parentesco (pai, mãe, avô e avó) e as nacionalidades (o que não é “nihonjin” é “gaijin”), dois pilares da ortodoxia oriental, são grafados em japonês, transcrito em alfabeto latino. Os vocábulos não recebem aspas nem itálico, como se, porosas como as identidades, as palavras estrangeiras se fizessem vernáculas. Isolamento O isolamento nihonjin começa a fraturar-se quando nascem os seis filhos de Hideo com a segunda esposa, Shizue. Perante a tradição, a prole nascida e educada no Brasil oscila entre a aceitação (Hanashiro), o combate (Haruo e Sumie) e a neutralidade (Emi, Hitoshi e Hiroshi). Hanashiro, o primogênito, se resigna às ordens paternas; seu caráter compassivo reafirma-se no casamento com mulher dominadora e no cuidado com o pai idoso. Haruo, incorporação máxima da resistência, erguese contra o insulamento japonês. O patriarcado tirânico é condenado por Sumie, que abandona a casa e foge com um brasileiro. Os demais rebentos, se, crianças, complementavam a demanda de mão-de-obra na fazenda, adultos, perambulam desorientados pelo livro… Na escola, Haruo é brasileiro; em casa, japonês, dualidade que abala outro suporte nihonjin, a educação (professor é a única profissão escrita em língua oriental). Ao conversar com a docente, o pai pensa em tirar as crianças do colégio, mas pondera que isso afetaria a ascensão social delas, numa projeção (inconsciente?) de permanência, contrária à anterior premência de retorno ao Japão. Se Haruo se afirmará brasileiro, preliminarmente, ele apenas não queria ser japonês, para integrar-se à classe: “E Pietro, o italianinho da colônia não consegue aprender contas e não era chamado de italianinho”. O matizamento da aceitação dos imigrantes ultrapassa o binarismo brasileiros x estrangeiros, denuncia xenofobias variadas e exibe as dissensões internas até dos japoneses. Alguns nikkeis passam a questionar a legitimidade de suas dívidas para com o Japão: “Os brasileiros descendentes de japoneses têm uma grande responsabilidade perante a nação brasileira… Como podemos amar a terra de nossos antepassados? Se nem a conhecemos?”. Morre o “mito do povo eternamente unido”: a par dos vitoristas, que, como Hideo, cultuam cegamente o imperador, negando a derrota na segunda guerra, há outros, como Haruo, que se insurgem contra o patriotismo reacionário, corporificado na Shindo Renmei, organização que, em nome da pureza nipônica, obrigava os “traidores” a suicidar-se. Haruo é assassinado na presença do pai, sócio daquela agremiação. A morte do filho e o sumiço de Sumie, no âmbito doméstico, e, no social, a desauratização do imperador e a derrota japonesa reclamam atitude mais conciliatória de Hideo, que perde “algo essencial, uma perna que, ausente, às vezes ainda sentia no espaço que ficara desabitado, mas, quando tentava andar, se dava conta do vazio”. É o ojiichan fragilizado que o narrador encontrará no final do sintético romance. Se já não o teme, tampouco o ataca: devota-lhe “olhos de compreender”. Decantada a era dos extremos, ele decide viajar para o Japão, menos como dekassegi do que como caçador de si: “o ato era ida, mas tinha para mim um sentido de retorno”, coincidentemente espelhado nos dois “n” que delimitam a palavra “nihonjin”.

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Ipês, por Fernando Cezar Gonçalves Manso

Venham!

Venham todos!

O poema é multicolorido.

Amarelos, brancos, roxos…

Van Gogh`s, Monet`s

esparramados pelas calçadas.

o céu azul por contraponto,

em matizes de telas vivas

e surreais.

Vejam!

Vejam todos!

Estes flocos de neve-flores,

que precipitam diante

de meus olhos.

Contemplem!

Contemplem todos!

A beleza é rara.

O espetáculo breve.

A vida segue

com suas cinzas-cores.

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Com Milton Hatoum no Sesc-Maringá – 14.set.2011

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